segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Benzinho.

"Não seja sentimental, isso pode te matar."

Você me disse essa frase há uns anos atrás, mas eu ainda me lembro como se fosse hoje. E foi o conselho mais aplicável que já recebi na vida. Claro, você me conhecia, não é? Você me via. Você conheceu todos os meus demônios e medos, antes de saber os porquês. 

Será que você sabia que seria o motivo pelo qual os meus sentimentos me sufocariam a ponto se eu não conseguir respirar às vezes? Será que sabia que cada lembrança traz um peso físico que eu carrego por me culpar por agora serem só lembranças? Será que você sabia que seriam meus sentimentos por você que me matariam? 
Eles não mataram fisicamente. Você entende, certo? Você sempre entendia antes mesmo de eu terminar as frases. Pegava tudo no ar. Esperta. Eles me matam emocionalmente. Pouco a pouco eu me sinto cada vez mais vazia, mais oca. Eu sinto cada vez que tento me envolver com alguém que àquela pessoa não vai me dar um terço da sensação de estar em casa que você me deu. Essas pessoas não são você, como posso gostar delas por muito tempo? Elas são distração, diversão, paixão. Mas não amor. Amor não. Amor é só você. Amor é o que eu sinto em cada fibra do meu corpo quando nossas lembranças me vem à mente. Lembranças tão nossas. Só nossas. 
Vanguart, praia, rock, fotos, adrenalina, música e mais música, fotos e mais fotos, muita adrenalina. Muito vinho em canecas, lembra? Muitas danças descontraídas de quando estávamos bêbadas demais pra ter vergonha. Na verdade, quando você me fazia beber o suficiente pra perder a vergonha. “Carolina sem vergonha, duas canecas de vinho e você volta a ser a mulher da minha vida”. Muitos segredos sussurrados em cima do teu peito, debaixo das cobertas, no meio dos seus abraços. Muitos medos gritados para serem expulsos, era nosso ritual. E você me tirou tantos medos, meu bem. E o medo que mais me orgulho de superar foi o de me entregar pra você. Eu entreguei meu corpo, minha alma e minha mente. Eu estava em paz. Feliz. Completa. Eu era eu, e você era você. Duas psicóticas amarguradas, que encontraram o doce que precisavam pra adoçar a vida uma da outra. Só não encontraram a sanidade até hoje. Tão doce… tão amável. Carinhosa. Me amando quando minha maior dificuldade era exatamente essa. Me ensinando que eu pudia ser amada, mas que não havia nada melhor que ser amada por você. E isso bastava. E bastou, por muito tempo. E bastaria pra sempre. “Nada é fácil, Carolina. Quanto mais forte você for pra aguentar, mais vai superar em si, no mundo”. Saíam da tua boca sempre as melhores frases. Filosofia barata, óbvia, mas que era tão difícil pra mim entender. Você foi uma ótima professora, com muita atenção e dedicação, me ensinou tudo. Metade do que sou hoje é obra tua. E eu quero te fazer sentir orgulho disso. 

Eu te amo. E isso dói como o inferno. Dói por saber que não importa mais esse amor. Dói todas as vezes que te troquei, todas as vezes que te rejeitei. Dói todas as vezes que você insistiu e eu desisti. Dói. Mas você não quer mais saber. Você também sempre disse que essa minha sina por amores não correspondidos iria acabar com a minha vida romântica. Eu rio de desespero, porque nem sei mais chorar. Você está sempre certa. 

Porque só agora que ouvi de você que não me ama mais, que eu me toquei o quanto eu ainda te amo, benzinho

Eu posso sentir você?

Você está ainda mais linda desde o dia em que te perdi. Você está por aí distribuindo esse charme tão seu… que um dia foi tão meu. 
Será que você anda beijando outras bocas que essa boca que é sua, mas que já foi tão minha? Será que mais alguém anda sentindo a textura da sua língua, o quão quente e úmida ela é, sabendo brincar com ela como a minha sabia? Será que alguém anda puxando seus lábios grossos com os dentes, chupando bem lentamente e forte, como você gosta? Será que alguém acompanha seu ritmo lento e intenso, como eu fazia? Será que você tem dado em alguém selinhos tão cheio de sentimento quanto os que dava em mim? Será que faz aquele bico, que me fazia fazer tudo que você queria? E será que essa pessoa faz o que você quer? 

Eu sinto sua falta como inferno, todos os dias. Eu já tive tantos relacionamentos pra tapar o buraco que o nosso deixou. Mas você não acredita, né? Você não acredita mais em mim. Em nada do que eu digo. Minhas desculpas, perdões, e até os “eu te amo” perderam o significado e peso pra você. Eu fui estúpida. Eu sou estúpida. Eu sou tão fodida da cabeça, amor… 
Mas você tem toda razão quando diz que não sou mais a mesma pessoa. Veja bem, você também não é. Incrível seria se fôssemos as mesmas pessoas de cinco anos atrás. Não somos as mesmas pessoas nem de cinco dias atrás, baby. 
Cinco dias… Fazem cinco dias desde que te vi chorar pela última vez. Foi quando te contei que estava namorando ele. Você disse: “Logo ele?!”. Disse que ele não ia me tratar como eu mereço, disse que ele não era um cara legal. Mas você sabe, eu sempre gostei daqueles tipos que a nossa família não vai gostar quando formos apresentar. Lembra da reação deles quando apresentei você como minha namorada? Eu me senti fodidamente incrível, amor. Naquele dia, eu achei que tudo ia dar certo. Eu achei que tudo ia finalmente dar certo… Mas não deu! 
Nada dá certo conosco, não é? Nós nos amamos como loucas, mas nunca demos certo. Nós viemos ao mundo pra ensinar muito uma pra outra, pra machucar muito uma a outra, para fazermos os melhores e mais felizes momentos das nossas vidas juntas. Mas não pra dar certo. Não viemos ao mundo pra dar certo juntas. Eu já me conformei. Por isso namoro com ele. Por isso namorei aquela minha amiga também. Por isso eu fodo com pessoas e vou pra festas. Por isso eu te ligo quando fico bêbada e quando me sinto triste. Por isso eu ligo chorando, porque eu odeio estar conformada, mas foi a única saída que encontrei pra tentar não levar uma vida infeliz. 
Ele me faz bem. Juro! Acredite em mim. Ele não tenta me consertar como se eu fosse um brinquedo quebrado, como você fazia. Ele mergulha na loucura comigo. Ele diz que sou incrível quando eu faço aquelas coisas que você julgava. Ele fode bem, muito bem… Ele me faz sentir como se eu fosse a mulher mais gostosa do mundo. E ainda é carinhoso, acredita? Não tem cara, não é? Mas é. Bastante. Ele só tem pose. 
Por que estou contando essas coisas pra você? Eu quero te machucar, amor. Eu quero fazer você se arrepender de ter me deixado. Eu quero te mostrar que eu posso estar bem, posso estar ótima! Mas nunca vou me sentir cem por cento feliz como era com você. E a culpa é sua, viu? Você disse que eu era tóxica, não é? Disse que eu só te fazia mal. Isso doeu, sabia? Doeu muito. Foi uma pontada forte e física no meu coração. Mas agora eu faço jus as suas palavras, querida. Eu sou tão errada quanto você dizia, tão tóxica quanto você queria que eu fosse. E eu vou te falar dele, como falei da minha ex, como levei ela pra nossa convivência, pro meio dos nossos amigos. 
Ops, agora são só meus amigos, certo? Você arrumou outros. Você sempre arruma substitutos muito rápido com esse seu charme e simpatia sem limites não é? Mas eu não, como diz uma música que gosto muito, I never be like you. Never. Nunca. Eu nunca vou ser como você. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

C.

Quatro anos. Quanto tempo podemos passar amando a mesma pessoa sem que isso se esgote? Bem, eu pensei que isso ia passar, mas já fazem quatro malditos anos. 
Você pode dizer que é exagero meu, e que faz quatro anos que nós nos conhecemos, não que a gente se ama. Ops, que eu te amo. Mas sim, eu te amo há quatro anos. Eu te amei desde a primeira vez que eu te vi. 

A primeira conversa: admiração. Você tão linda, cantava tão bem. Eu tão tímida. Mas tomei coragem e fui! Eu falei com você. Você tão simpática. Eu tão sem jeito. Gostei da sua blusa? Sério? Mas eu já disse, você era tão simpática, e disse que gostou da minha jaqueta horrível. Eu tão nervosa. Você tão calma. Balancei a cabeça em positivo, tão nervosa, que fiz mais vezes que o necessário. E você sorriu. Meu Deus, você sorriu! Admiração. Linda, canta bem, tem um sorriso lindo, é simpática. Nós conversamos. Tão doce você parecia. Admiração. Tanta admiração. E você pegou a minha mão. Nós entramos. E foi aí que tudo começou. 

O começo: Amor. Eu te amei desde o início. Claro que não da mesma forma que amo hoje. Aquele amor era puro. Casto. Aquele amor de quem se conhece, se descobre. Você sempre tão doce, atenciosa, cuidadosa. Você sempre com aquele sorriso. Você sempre tão carinhosa. Você sempre me fazendo sentir segura. Você não ria do meu jeito, nem achava estranho. E eu tinha tanto medo naquela época. Mas você achava graça e sorria. Meu Deus, você sorria! Os olhinhos quase fechados, um sorriso tão aberto. Dizia que eu era fofa, mas você era muito mais! Ria de todas as minhas piadas sem graça. Admiração. Amor. Você cuidava de mim, estava sempre por perto. Você me mantinha segura de mim mesma e do mundo. 

As descobertas: Eu vi você beijando ela. Sim, eu vi você beijando sua amiga. Você surtou tanto. Foi a primeira vez que te vi chorar de desespero. E como você chorava, Boo! Achou que eu ia te julgar. Achou que eu ia te dedurar. Achou que eu ia te afastar. Mas eu te acolhi. Te acolhi e coloquei debaixo das minhas asas de fada. Na nossa capa de invisibilidade. É o nosso segredo, não vou contar a ninguém. E não contei. 

O ponto positivo: Eu já sabia que estava apaixonada por você. Eu sempre fui. Desde a admiração, lembra? E por tamanha admiração eu achei que nunca teria uma chance. Jamais. Uma menina tão bonita, simpática… Ela só olha pra mim com olhos de amizade. Sim. Porque eu sempre pegava seus olhos em mim tanto quanto grudava os meus em você. Eu odiei ver, mas agora estava ali, brilhando para mim, a esperança. Você beijou ela, mas eu era suficiente pra você me beijar? 

Os segredos: Ela era seu dragão. Isso é tão óbvio. E quando descobriram, eu já sabia, mas você contou. E eu disse ok. Você estava com tanto medo de te descobrirem. Descobrirem algo que você nem realmente era, você dizia. É só com ela. Como um defeito de fábrica. Ok, então. Juntamos agora o ciúme no amor e admiração. Mas ok, agora, como nosso segredo e piada interna, eu era seu dragão. 

O primeiro beijo: Cada vez mais próximas. Cada vez mais juntas. Eu adorava te olhar dormir. Na mesma posição que dormia, acordava. Completamente diferente de mim. Mas você não se importava com os braços e pernas que eu jogava pra todo lado e pedia, dorme comigo? E eu te olhava dormir. Te olhava acordar. Te olhava cair no sono. Recebia seus carinhos, cafunés. Seus beijos no meu rosto, na testa. Recebia seus beijos perto, cada vez mais perto de onde eu realmente queria. Você chegava ali bem no cantinho da minha boca e beijava, e depois sorria. Mas não era aquele sorriso dos olhos fechados. Era aquele sorriso que puxava o canto dos lábios. E piscava pra mim. Deus, você piscava pra mim! 
E naquela noite, em meio a segredos contados no quarto onde só havia eu e você. Em meio a risadas e piadas. Em meio a discordâncias de qual era a melhor música, banda, o melhor filme. Em meio carinhos e abraços. Em meio a sorrisos que não eram daqueles que fechavam os olhos, eram daquelas que só levantavam o canto da boca, eu quis brincar. Eu quis brincar de chegar quase lá, e depois piscar. Você fazia, não é? Eu também poderia fazer. Mas eu não era você. Você é controlada e eu sou espontânea. Uma espontaneidade fofa, você dizia naquela época. Tão impulsiva. Quando ia ver, já tinha feito. E fiz. Era pra ser no canto da boca, mas eu errei. Errei feio. Ou errei bonito. Talvez, na verdade, eu tenha acertado em cheio. Foi a primeira vez que eu toquei o paraíso. E eu nem ao menos sabia fazer aquilo. Mas você não se importou em me ensinar. Eu toquei o paraíso e ele soltou seus anjos no meu estômago, enquanto eu encontrava o céu, só que da sua boca. Pela sua boca. Naquela época você era o meu anjo. Meu anjo da guarda. Lembra? Admiração. Amor. Você sempre tão carinhosa, simpática, cuidadosa, carinhosa. Naquela época. 

Te deixo ir...

Te deixo ir. Finalmente, te deixo ir. Não porque não te quero mais, mas sim porque te quero muito. Muito bem, e muito feliz. 
Te deixo ir porque me desapeguei do apego e do egoísmo de querer você pra mim, e principalmente me desapeguei do meu ego que queria que você me amasse, como eu te amava. Amo. 
Te deixo ir, porque na verdade, nunca esteve. Somos pássaros voando no céu, tentando encontrar no horizonte liberdade, e quem sabe no caminho, algum ninho. Pássaros que se cruzaram no céu, se acompanharam por um pequeno percurso, mas que depois foram seguir outros horizontes. Eu estava me recusando a seguir meu horizonte, queria seguir o teu. Finalmente queria parar de voar e ser teu ninho. Mas o vento mudou nossos caminhos... 
Te deixo ir, pássaro vermelho, não vou mais te acompanhar. Mas, enquanto esse amor habitar em mim, serei teu ninho no céu toda vez que a gente se cruzar. Conta comigo pro que precisar. 
Te deixo ir, porque me deixei ir, porque descobri que o amor é livre, desimpedido. E que quando está lado a lado por opção, e não pressão, é bem mais bonito.

Fragmentos de M (2).

Dor de cabeça. De novo, outra vez, sempre. Droga de dor de cabeça. Droga de cabeça, aliás. Sabe quando você sente que todas as decisões que você toma estão erradas, e que não importa pra que lado você siga, você permanece perdida? Aaaaaarg, e pra acompanhar, a dor de cabeça. Os meninos me chamaram pra festa, eu preciso ficar bêbada o suficiente pra esquecer dela. Ou pra esquecer de mim. Ou dos dois. Ou de tantas e tantas coisas mais. Das pessoas que se foram, das que ficaram mas não é mesma coisa, dos meus projetos pendentes e inacabados, dos meus amores vãos que eu não me lembro de esquecer. É, é ele ainda. Ou ela? Ou os dois. Por que escolher um só? Por que ser de um só? Não é que eu não ame, ou que eu não me importe, é que me importo e amo muitas pessoas diferentes, ao mesmo tempo às vezes, e ninguém entende isso. Eu sinto falta dela... Eu sinto falta dele... Ou talvez eu só sinta falta de sentir alguma coisa. Esse vazio me engole. Esse buraco gigante de nada me encurrala. E eu estou no fundo dele. Porque é isso que eu tenho, é isso que eu sou: nada. E.Essa.Dor.De.Cabeça.Que.Não.Passa. Parece um sino de igreja na minha cabeça. Odeio sinos. E odeio tudo que é repetitivo, monótono. Odeio tudo que não muda. Por isso eu sou assim, mudo de tema toda hora. Mas no final, é bem capaz de eu estar falando sempre da mesma coisa: meu egoísmo enorme, minha carência eterna e esse meu pavor da solidão. 

À.

A madrugada traz o rolê
A madrugada traz a lua 
Mas a madrugada traz a sensação de que ainda sou tua 

A madrugada traz a bebida
A madrugada traz a boca daquela moça gostosa pra beijar 
Mas a madrugada também me lembra que eu não consigo te apagar 

A madrugada traz a euforia 
A madrugada traz o lado feliz da minha personalidade
Mas a madrugada também me lembra que é só você quem me conhece de verdade 

A madrugada traz mentira 
A madrugada traz vaidade 
A madrugada me faz comer outra sabendo que é de você que tenho vontade 

Minhas madrugradas tem se resumido nos bares 
Onde eu vou pra te esquecer 
Mas não tem nenhum garçom desses bares, amor 
Que não saiba quem é você

Meu vão.

Eu tento me explicar,
Mesmo tu não pedindo explicação.
Tenho muitos aos meus pés,
Mas ainda tô na palma da tua mão.

Que ironia, não?

Mesmo com o peito carregado de verdades doloridas e sentimentais.
Sorrio e vivo meu vão.