segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Sobre uma história que nem existe.

Esse beijo dela... Ah, esse beijo dela que me salva, que me nutri, que faz sentir amada. 
Esse abraço dela... Ah, esse abraço dela que me protege, que me acalma, que me faz sentir segura. 
Esses olhos dela... Ah, esses olhos dela que refletem uma alma linda, uma sabedoria alternativa, que refletem a mesma vontade de se enxergar nos meus. 

Essa pele dela... Ah, essa pele dela que é seda, que faz a vontade de tocar, que faz a vontade de cheirar. 
Essa boca dela... Ah, essa boca dela que guarda o melhor beijo que eu já provei, o melhor oral que já imaginei, que roça os lábios no corpo como só eu sei. 

Essas mãos dela... Ah, essas mãos dela que me seguram, que me acariciam, que me apertam. Esses dedos que se entrelaçam com os meus e ficam, como se pudessem se fundir. 

Essa vida minha, que era tão sua. Esse corpo meu, que era tão seu. Esse encaixe que eu não encontro mais, que eu não sinto mais. Eu me sentia em casa contigo. Eu me sentia eu contigo. 

E agora eu sou alguém tentando ser, procurando abrigo. 

Porque é amor que eu não encontro em nada.

Eu tento falar sobre algo que não seja amor. Eu tento, eu juro. Mas ainda não existe nada que eu desconheça e queira conhecer tanto quanto. Não existe nada que eu queria mais aprender como se faz direito. Não existe nada que tome tanto minha cabeça, nada que me faça criar tantas histórias e tantos poemas, e tantos contos, e tantas metades de histórias tão reais e irreais e impossíveis ao mesmo tempo. 

O amor está nas canções, nos livros, nas novelas, nos filmes, nos desenhos animados. O amor é motivo. E a gente se sente tão frágil e bobo por falar dele, quando, na verdade, pessoas com coragem pra falar de amor são raras. Não aquele amor que a gente diz a qualquer um. É aquele "eu te amo" carregado de sentimento e história que pesa pra sair pela boca. É aquele "eu te amo" que você demora pra falar, mas quando diz, ele carrega o infinito nas palavras. Aquele "eu te amo" que você sabe que é verdadeiro, então ele é mais difícil de dizer, porque você sabe o quanto ele significa. Ele significa tudo pra você. E se a pessoa não te amar de volta, e aquele seu tudo virar nada, ele dói. E a gente às vezes quer que doa só pra gente, sem ninguém ver ou saber. 

Enfim... Eu não sei falar de outra coisa a não ser de amor. Porque é só amor que eu procuro em tudo. Porque é amor que eu não encontro em nada.

Por que medo de morrer se nem sei ainda por quê estou vivo?

Enquanto aguardo o motivo esperado.
Ou o objetivo no qual eu agarre minha mão.
Vou vivendo minha solidão.

Com olhar melancólico e triste.
Que as pessoas de perto se importam mais em julgar.
Que tentar ajudar.

Essa preguiça não é só preguiça.
É desmotivação de alma.
Também um pouco de depressão.

Essa preguiça é quando eu fico procurando um motivo,
Pra não morrer em vão.

Não morrer sem um porquê,
Não morrer sem esperança.
Mas a espera me custa, me cansa.

E eu sei que eu tenho que ser forte,
Não precisa falar outra vez.
Mas o fato de eu precisar ser forte,
Não significa que eu seja, como vocês.

Olha pra mim!
Meu corpo reflete minha alma.
Magra, tranquila, fraca, triste, calma.
Calma porque não tem motivos bons,
Nem pra brigar.
Se você está certo: tá, tá, tá.

Não vou fazer discursos.
Nem apresentar sermões.
Eu sou aquela que procura a chama da vida que precisa,
Em outros corações.

Sei que tenho que encontrar no meu.
Sei que tenho que ser suficiente pra mim.
Mas no mundo real não funciona assim.

O auto suficiente é bem sucedido, mas amargurado.
Termina em uma mansão,
Sem ninguém do lado.

Pra que foco se ainda não achei o objetivo?
Por que medo de morrer se nem sei ainda por quê estou vivo?

Poema da madruga. Parte 2.

A noite cheia de Black Keys e Vanguart.
Na cabeça aquela sensação de "já é tarde".

Uma música melancólica,
Pra fazer trilha sonora pra minha vida.
Que já não tem motivo pra ser vivida.

Eu olho pros lados, freneticamente, procurando uma solução.
Uma liberdade cheia de prisão.

Prisão do trabalho.
Prisão da obrigação.
Fico cansada só de pensar como os dias serão.

Já não tenho mais ânimo.
Nem vontade.
Muito menos vaidade.

Só ando procurando o que é realmente a minha verdade.

Que sempre muda.
Que sempre mente.
E ninguém entende.

Eu também não faço questão de explicar.

Ando achando melhor desligar de vez a CPU,
Ao invés de resetar.

Poema da tarde nebulosa.

Uma parte de mim não quer mais estação nenhuma.
A outra, que a primavera nunca acabe.
Uma parte minha quer reconstruir todos os defeitos internos da casa chamada eu.
A outra, que tudo desabe.

Uma parte minha quer melhorar, progredir, acreditar.
A outra, só quer procrastinar, desistir, se entregar.
Uma parte minha já esqueceu o que é ter esperança.
A outra diz: quem espera, sempre alcança.

Uma parte minha quer conhecer gente nova, e socializar.
A outra, tem tédio demais das pessoas pra sequer tentar.
Uma parte se preocupa, se ocupa, se culpa.
A outra, insulta, se oculta, se incuba.

Uma parte minha quer fazer tudo que eu desejo acontecer.
A outra, diz que eu nunca vou conseguir ou merecer.
Uma parte me prende, me sufoca, só pensa nas coisas piores.
A outra se esforça pra enfrentar os medos e tentar fazer dias melhores.

O problema é que a parte ruim ganha a parte boa quase toda vez.
E quando acho que dei um passo, estou voltando três.

Eu tinha escolhido ser ninguém.

Senti a textura do álcool na língua e fui. Aquela foi a primeira dose do começo do porre. A música estava me chamando. E as luzes. Sempre as mesmas: azul, vermelho, branco, verde, amarelo. Elas não doíam mais meus olhos. Eu estava bêbada demais pra sentir dor em qualquer lugar que fosse. E as luzes. Eu brincava com as luzes, eu dançava com as luzes. Fechei os olhos, abri os braços e soltei as pernas. Provavelmente meus movimentos não eram nada sexys, mas eu não ligava. As luzes, o gosto da vodka na língua, a vontade de esquecer o mundo por algumas horas. Por uns instantes, naquela boate lotada de gente tão solitária quanto eu, só havíamos eu, as luzes e a música. Rodei, voei, morri, voltei. Eu estava em outro planeta. Berrei. Mas ninguém ouviu. Berrei outra vez, com todo o folego que me restava, dessa vez as pessoas em volta se assustaram de primeira, mas depois riram, e começaram a berrar também. Ninguém sabia porque eu tinha berrado, mas eles sabiam muito bem porque estavam berrando. O recado ficou subentendido. 
Eu estava feliz. Com um sorriso gigante no rosto. Eu não sentia nada, não queria nada, não era nada. Naqueles minutos eu amei o nada, porque eu não importava de não ser nada. Eu não tinha preso em correntes nos meus pés a responsabilidade de querer ser alguém. Eu estava feliz. Porque eu tinha escolhido ser ninguém.

Boy. Part 1.

Take it easy, boy. Take it easy. 
Não transforme um momento ruim numa crise.

Eu sei que te irrita, 
O fato de eu conseguir te negar. 
Quantas meninas você comeu,
Sem que elas quisessem realmente te dar.

Take it easy, boy. 
Nem tudo é do jeito que a gente quer. 
Não sou uma boneca inflável, 
Sou uma mulher.

Sim, 
Daquele tipo que só ganha boquete se fizer oral. 
Daquele tipo raro que adora anal.

But, boy. 
Não é só o rostinho bonito que vale. 
Se for babaca, não vai comer. 
Não adianta fazer carinha e nem fazer pirraça igual bebê.

Boy, boy, boy... 
Não estou dando uma difícil, 
Só que realmente essa noite não dá. 
Parece não entrar na sua cabeça, mas: 
"Não estou interessada, au revoir"