"Não seja sentimental, isso pode te matar."
Você me disse essa frase há uns anos atrás, mas eu ainda me lembro como se fosse hoje. E foi o conselho mais aplicável que já recebi na vida. Claro, você me conhecia, não é? Você me via. Você conheceu todos os meus demônios e medos, antes de saber os porquês.
Será que você sabia que seria o motivo pelo qual os meus sentimentos me sufocariam a ponto se eu não conseguir respirar às vezes? Será que sabia que cada lembrança traz um peso físico que eu carrego por me culpar por agora serem só lembranças? Será que você sabia que seriam meus sentimentos por você que me matariam?
Eles não mataram fisicamente. Você entende, certo? Você sempre entendia antes mesmo de eu terminar as frases. Pegava tudo no ar. Esperta. Eles me matam emocionalmente. Pouco a pouco eu me sinto cada vez mais vazia, mais oca. Eu sinto cada vez que tento me envolver com alguém que àquela pessoa não vai me dar um terço da sensação de estar em casa que você me deu. Essas pessoas não são você, como posso gostar delas por muito tempo? Elas são distração, diversão, paixão. Mas não amor. Amor não. Amor é só você. Amor é o que eu sinto em cada fibra do meu corpo quando nossas lembranças me vem à mente. Lembranças tão nossas. Só nossas.
Vanguart, praia, rock, fotos, adrenalina, música e mais música, fotos e mais fotos, muita adrenalina. Muito vinho em canecas, lembra? Muitas danças descontraídas de quando estávamos bêbadas demais pra ter vergonha. Na verdade, quando você me fazia beber o suficiente pra perder a vergonha. “Carolina sem vergonha, duas canecas de vinho e você volta a ser a mulher da minha vida”. Muitos segredos sussurrados em cima do teu peito, debaixo das cobertas, no meio dos seus abraços. Muitos medos gritados para serem expulsos, era nosso ritual. E você me tirou tantos medos, meu bem. E o medo que mais me orgulho de superar foi o de me entregar pra você. Eu entreguei meu corpo, minha alma e minha mente. Eu estava em paz. Feliz. Completa. Eu era eu, e você era você. Duas psicóticas amarguradas, que encontraram o doce que precisavam pra adoçar a vida uma da outra. Só não encontraram a sanidade até hoje. Tão doce… tão amável. Carinhosa. Me amando quando minha maior dificuldade era exatamente essa. Me ensinando que eu pudia ser amada, mas que não havia nada melhor que ser amada por você. E isso bastava. E bastou, por muito tempo. E bastaria pra sempre. “Nada é fácil, Carolina. Quanto mais forte você for pra aguentar, mais vai superar em si, no mundo”. Saíam da tua boca sempre as melhores frases. Filosofia barata, óbvia, mas que era tão difícil pra mim entender. Você foi uma ótima professora, com muita atenção e dedicação, me ensinou tudo. Metade do que sou hoje é obra tua. E eu quero te fazer sentir orgulho disso.
Eu te amo. E isso dói como o inferno. Dói por saber que não importa mais esse amor. Dói todas as vezes que te troquei, todas as vezes que te rejeitei. Dói todas as vezes que você insistiu e eu desisti. Dói. Mas você não quer mais saber. Você também sempre disse que essa minha sina por amores não correspondidos iria acabar com a minha vida romântica. Eu rio de desespero, porque nem sei mais chorar. Você está sempre certa.
Porque só agora que ouvi de você que não me ama mais, que eu me toquei o quanto eu ainda te amo, benzinho.
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