segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Por que medo de morrer se nem sei ainda por quê estou vivo?

Enquanto aguardo o motivo esperado.
Ou o objetivo no qual eu agarre minha mão.
Vou vivendo minha solidão.

Com olhar melancólico e triste.
Que as pessoas de perto se importam mais em julgar.
Que tentar ajudar.

Essa preguiça não é só preguiça.
É desmotivação de alma.
Também um pouco de depressão.

Essa preguiça é quando eu fico procurando um motivo,
Pra não morrer em vão.

Não morrer sem um porquê,
Não morrer sem esperança.
Mas a espera me custa, me cansa.

E eu sei que eu tenho que ser forte,
Não precisa falar outra vez.
Mas o fato de eu precisar ser forte,
Não significa que eu seja, como vocês.

Olha pra mim!
Meu corpo reflete minha alma.
Magra, tranquila, fraca, triste, calma.
Calma porque não tem motivos bons,
Nem pra brigar.
Se você está certo: tá, tá, tá.

Não vou fazer discursos.
Nem apresentar sermões.
Eu sou aquela que procura a chama da vida que precisa,
Em outros corações.

Sei que tenho que encontrar no meu.
Sei que tenho que ser suficiente pra mim.
Mas no mundo real não funciona assim.

O auto suficiente é bem sucedido, mas amargurado.
Termina em uma mansão,
Sem ninguém do lado.

Pra que foco se ainda não achei o objetivo?
Por que medo de morrer se nem sei ainda por quê estou vivo?

Poema da madruga. Parte 2.

A noite cheia de Black Keys e Vanguart.
Na cabeça aquela sensação de "já é tarde".

Uma música melancólica,
Pra fazer trilha sonora pra minha vida.
Que já não tem motivo pra ser vivida.

Eu olho pros lados, freneticamente, procurando uma solução.
Uma liberdade cheia de prisão.

Prisão do trabalho.
Prisão da obrigação.
Fico cansada só de pensar como os dias serão.

Já não tenho mais ânimo.
Nem vontade.
Muito menos vaidade.

Só ando procurando o que é realmente a minha verdade.

Que sempre muda.
Que sempre mente.
E ninguém entende.

Eu também não faço questão de explicar.

Ando achando melhor desligar de vez a CPU,
Ao invés de resetar.

Poema da tarde nebulosa.

Uma parte de mim não quer mais estação nenhuma.
A outra, que a primavera nunca acabe.
Uma parte minha quer reconstruir todos os defeitos internos da casa chamada eu.
A outra, que tudo desabe.

Uma parte minha quer melhorar, progredir, acreditar.
A outra, só quer procrastinar, desistir, se entregar.
Uma parte minha já esqueceu o que é ter esperança.
A outra diz: quem espera, sempre alcança.

Uma parte minha quer conhecer gente nova, e socializar.
A outra, tem tédio demais das pessoas pra sequer tentar.
Uma parte se preocupa, se ocupa, se culpa.
A outra, insulta, se oculta, se incuba.

Uma parte minha quer fazer tudo que eu desejo acontecer.
A outra, diz que eu nunca vou conseguir ou merecer.
Uma parte me prende, me sufoca, só pensa nas coisas piores.
A outra se esforça pra enfrentar os medos e tentar fazer dias melhores.

O problema é que a parte ruim ganha a parte boa quase toda vez.
E quando acho que dei um passo, estou voltando três.

Eu tinha escolhido ser ninguém.

Senti a textura do álcool na língua e fui. Aquela foi a primeira dose do começo do porre. A música estava me chamando. E as luzes. Sempre as mesmas: azul, vermelho, branco, verde, amarelo. Elas não doíam mais meus olhos. Eu estava bêbada demais pra sentir dor em qualquer lugar que fosse. E as luzes. Eu brincava com as luzes, eu dançava com as luzes. Fechei os olhos, abri os braços e soltei as pernas. Provavelmente meus movimentos não eram nada sexys, mas eu não ligava. As luzes, o gosto da vodka na língua, a vontade de esquecer o mundo por algumas horas. Por uns instantes, naquela boate lotada de gente tão solitária quanto eu, só havíamos eu, as luzes e a música. Rodei, voei, morri, voltei. Eu estava em outro planeta. Berrei. Mas ninguém ouviu. Berrei outra vez, com todo o folego que me restava, dessa vez as pessoas em volta se assustaram de primeira, mas depois riram, e começaram a berrar também. Ninguém sabia porque eu tinha berrado, mas eles sabiam muito bem porque estavam berrando. O recado ficou subentendido. 
Eu estava feliz. Com um sorriso gigante no rosto. Eu não sentia nada, não queria nada, não era nada. Naqueles minutos eu amei o nada, porque eu não importava de não ser nada. Eu não tinha preso em correntes nos meus pés a responsabilidade de querer ser alguém. Eu estava feliz. Porque eu tinha escolhido ser ninguém.

Boy. Part 1.

Take it easy, boy. Take it easy. 
Não transforme um momento ruim numa crise.

Eu sei que te irrita, 
O fato de eu conseguir te negar. 
Quantas meninas você comeu,
Sem que elas quisessem realmente te dar.

Take it easy, boy. 
Nem tudo é do jeito que a gente quer. 
Não sou uma boneca inflável, 
Sou uma mulher.

Sim, 
Daquele tipo que só ganha boquete se fizer oral. 
Daquele tipo raro que adora anal.

But, boy. 
Não é só o rostinho bonito que vale. 
Se for babaca, não vai comer. 
Não adianta fazer carinha e nem fazer pirraça igual bebê.

Boy, boy, boy... 
Não estou dando uma difícil, 
Só que realmente essa noite não dá. 
Parece não entrar na sua cabeça, mas: 
"Não estou interessada, au revoir"

Mas Maria, eu quero voar.

Maria, eu quero voar...
Eu deslizo pela corda bamba, um passo eu dou, e volto três. Eu vou deslizando na corda, um passo de cada vez. 

E em cada deslize perdido, eu penso em me jogar. Ah! Quem me dera ser uma pássaro, Maria, para ao invés de cair, voar… 

Eu ando na corda bamba a tanto tempo, que quase mais ninguém presta atenção. O discurso é sempre o mesmo: “Não vale ficar vendo. Ela não chega no final, não”.
“Valeu pelo apoio”, eu digo a mais um telespectador perdido. 
Mesmo que, com minha falta de jeito para bambear, eu tenha merecido.

Eu deslizo na corda bamba, e choro de decepção por ainda estar no começo. Pedi para os mais experientes me ensinarem, mas era muito alto o preço.

Eles disseram que para andar na corda você precisa ser realista e parar de sonhar. Disseram que se sabe andar ou se cai. Mas Maria, eu quero voar.
Eu sou o abismo do nada entre a solidão e a companhia. 
 Entre a felicidade e a tristeza.