Senti a textura do álcool na língua e fui. Aquela foi a primeira dose do começo do porre. A música estava me chamando. E as luzes. Sempre as mesmas: azul, vermelho, branco, verde, amarelo. Elas não doíam mais meus olhos. Eu estava bêbada demais pra sentir dor em qualquer lugar que fosse. E as luzes. Eu brincava com as luzes, eu dançava com as luzes. Fechei os olhos, abri os braços e soltei as pernas. Provavelmente meus movimentos não eram nada sexys, mas eu não ligava. As luzes, o gosto da vodka na língua, a vontade de esquecer o mundo por algumas horas. Por uns instantes, naquela boate lotada de gente tão solitária quanto eu, só havíamos eu, as luzes e a música. Rodei, voei, morri, voltei. Eu estava em outro planeta. Berrei. Mas ninguém ouviu. Berrei outra vez, com todo o folego que me restava, dessa vez as pessoas em volta se assustaram de primeira, mas depois riram, e começaram a berrar também. Ninguém sabia porque eu tinha berrado, mas eles sabiam muito bem porque estavam berrando. O recado ficou subentendido.
Eu estava feliz. Com um sorriso gigante no rosto. Eu não sentia nada, não queria nada, não era nada. Naqueles minutos eu amei o nada, porque eu não importava de não ser nada. Eu não tinha preso em correntes nos meus pés a responsabilidade de querer ser alguém. Eu estava feliz. Porque eu tinha escolhido ser ninguém.
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