segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Poema da tarde nebulosa.

Uma parte de mim não quer mais estação nenhuma.
A outra, que a primavera nunca acabe.
Uma parte minha quer reconstruir todos os defeitos internos da casa chamada eu.
A outra, que tudo desabe.

Uma parte minha quer melhorar, progredir, acreditar.
A outra, só quer procrastinar, desistir, se entregar.
Uma parte minha já esqueceu o que é ter esperança.
A outra diz: quem espera, sempre alcança.

Uma parte minha quer conhecer gente nova, e socializar.
A outra, tem tédio demais das pessoas pra sequer tentar.
Uma parte se preocupa, se ocupa, se culpa.
A outra, insulta, se oculta, se incuba.

Uma parte minha quer fazer tudo que eu desejo acontecer.
A outra, diz que eu nunca vou conseguir ou merecer.
Uma parte me prende, me sufoca, só pensa nas coisas piores.
A outra se esforça pra enfrentar os medos e tentar fazer dias melhores.

O problema é que a parte ruim ganha a parte boa quase toda vez.
E quando acho que dei um passo, estou voltando três.

Eu tinha escolhido ser ninguém.

Senti a textura do álcool na língua e fui. Aquela foi a primeira dose do começo do porre. A música estava me chamando. E as luzes. Sempre as mesmas: azul, vermelho, branco, verde, amarelo. Elas não doíam mais meus olhos. Eu estava bêbada demais pra sentir dor em qualquer lugar que fosse. E as luzes. Eu brincava com as luzes, eu dançava com as luzes. Fechei os olhos, abri os braços e soltei as pernas. Provavelmente meus movimentos não eram nada sexys, mas eu não ligava. As luzes, o gosto da vodka na língua, a vontade de esquecer o mundo por algumas horas. Por uns instantes, naquela boate lotada de gente tão solitária quanto eu, só havíamos eu, as luzes e a música. Rodei, voei, morri, voltei. Eu estava em outro planeta. Berrei. Mas ninguém ouviu. Berrei outra vez, com todo o folego que me restava, dessa vez as pessoas em volta se assustaram de primeira, mas depois riram, e começaram a berrar também. Ninguém sabia porque eu tinha berrado, mas eles sabiam muito bem porque estavam berrando. O recado ficou subentendido. 
Eu estava feliz. Com um sorriso gigante no rosto. Eu não sentia nada, não queria nada, não era nada. Naqueles minutos eu amei o nada, porque eu não importava de não ser nada. Eu não tinha preso em correntes nos meus pés a responsabilidade de querer ser alguém. Eu estava feliz. Porque eu tinha escolhido ser ninguém.

Boy. Part 1.

Take it easy, boy. Take it easy. 
Não transforme um momento ruim numa crise.

Eu sei que te irrita, 
O fato de eu conseguir te negar. 
Quantas meninas você comeu,
Sem que elas quisessem realmente te dar.

Take it easy, boy. 
Nem tudo é do jeito que a gente quer. 
Não sou uma boneca inflável, 
Sou uma mulher.

Sim, 
Daquele tipo que só ganha boquete se fizer oral. 
Daquele tipo raro que adora anal.

But, boy. 
Não é só o rostinho bonito que vale. 
Se for babaca, não vai comer. 
Não adianta fazer carinha e nem fazer pirraça igual bebê.

Boy, boy, boy... 
Não estou dando uma difícil, 
Só que realmente essa noite não dá. 
Parece não entrar na sua cabeça, mas: 
"Não estou interessada, au revoir"

Mas Maria, eu quero voar.

Maria, eu quero voar...
Eu deslizo pela corda bamba, um passo eu dou, e volto três. Eu vou deslizando na corda, um passo de cada vez. 

E em cada deslize perdido, eu penso em me jogar. Ah! Quem me dera ser uma pássaro, Maria, para ao invés de cair, voar… 

Eu ando na corda bamba a tanto tempo, que quase mais ninguém presta atenção. O discurso é sempre o mesmo: “Não vale ficar vendo. Ela não chega no final, não”.
“Valeu pelo apoio”, eu digo a mais um telespectador perdido. 
Mesmo que, com minha falta de jeito para bambear, eu tenha merecido.

Eu deslizo na corda bamba, e choro de decepção por ainda estar no começo. Pedi para os mais experientes me ensinarem, mas era muito alto o preço.

Eles disseram que para andar na corda você precisa ser realista e parar de sonhar. Disseram que se sabe andar ou se cai. Mas Maria, eu quero voar.
Eu sou o abismo do nada entre a solidão e a companhia. 
 Entre a felicidade e a tristeza.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Benzinho.

"Não seja sentimental, isso pode te matar."

Você me disse essa frase há uns anos atrás, mas eu ainda me lembro como se fosse hoje. E foi o conselho mais aplicável que já recebi na vida. Claro, você me conhecia, não é? Você me via. Você conheceu todos os meus demônios e medos, antes de saber os porquês. 

Será que você sabia que seria o motivo pelo qual os meus sentimentos me sufocariam a ponto se eu não conseguir respirar às vezes? Será que sabia que cada lembrança traz um peso físico que eu carrego por me culpar por agora serem só lembranças? Será que você sabia que seriam meus sentimentos por você que me matariam? 
Eles não mataram fisicamente. Você entende, certo? Você sempre entendia antes mesmo de eu terminar as frases. Pegava tudo no ar. Esperta. Eles me matam emocionalmente. Pouco a pouco eu me sinto cada vez mais vazia, mais oca. Eu sinto cada vez que tento me envolver com alguém que àquela pessoa não vai me dar um terço da sensação de estar em casa que você me deu. Essas pessoas não são você, como posso gostar delas por muito tempo? Elas são distração, diversão, paixão. Mas não amor. Amor não. Amor é só você. Amor é o que eu sinto em cada fibra do meu corpo quando nossas lembranças me vem à mente. Lembranças tão nossas. Só nossas. 
Vanguart, praia, rock, fotos, adrenalina, música e mais música, fotos e mais fotos, muita adrenalina. Muito vinho em canecas, lembra? Muitas danças descontraídas de quando estávamos bêbadas demais pra ter vergonha. Na verdade, quando você me fazia beber o suficiente pra perder a vergonha. “Carolina sem vergonha, duas canecas de vinho e você volta a ser a mulher da minha vida”. Muitos segredos sussurrados em cima do teu peito, debaixo das cobertas, no meio dos seus abraços. Muitos medos gritados para serem expulsos, era nosso ritual. E você me tirou tantos medos, meu bem. E o medo que mais me orgulho de superar foi o de me entregar pra você. Eu entreguei meu corpo, minha alma e minha mente. Eu estava em paz. Feliz. Completa. Eu era eu, e você era você. Duas psicóticas amarguradas, que encontraram o doce que precisavam pra adoçar a vida uma da outra. Só não encontraram a sanidade até hoje. Tão doce… tão amável. Carinhosa. Me amando quando minha maior dificuldade era exatamente essa. Me ensinando que eu pudia ser amada, mas que não havia nada melhor que ser amada por você. E isso bastava. E bastou, por muito tempo. E bastaria pra sempre. “Nada é fácil, Carolina. Quanto mais forte você for pra aguentar, mais vai superar em si, no mundo”. Saíam da tua boca sempre as melhores frases. Filosofia barata, óbvia, mas que era tão difícil pra mim entender. Você foi uma ótima professora, com muita atenção e dedicação, me ensinou tudo. Metade do que sou hoje é obra tua. E eu quero te fazer sentir orgulho disso. 

Eu te amo. E isso dói como o inferno. Dói por saber que não importa mais esse amor. Dói todas as vezes que te troquei, todas as vezes que te rejeitei. Dói todas as vezes que você insistiu e eu desisti. Dói. Mas você não quer mais saber. Você também sempre disse que essa minha sina por amores não correspondidos iria acabar com a minha vida romântica. Eu rio de desespero, porque nem sei mais chorar. Você está sempre certa. 

Porque só agora que ouvi de você que não me ama mais, que eu me toquei o quanto eu ainda te amo, benzinho

Eu posso sentir você?

Você está ainda mais linda desde o dia em que te perdi. Você está por aí distribuindo esse charme tão seu… que um dia foi tão meu. 
Será que você anda beijando outras bocas que essa boca que é sua, mas que já foi tão minha? Será que mais alguém anda sentindo a textura da sua língua, o quão quente e úmida ela é, sabendo brincar com ela como a minha sabia? Será que alguém anda puxando seus lábios grossos com os dentes, chupando bem lentamente e forte, como você gosta? Será que alguém acompanha seu ritmo lento e intenso, como eu fazia? Será que você tem dado em alguém selinhos tão cheio de sentimento quanto os que dava em mim? Será que faz aquele bico, que me fazia fazer tudo que você queria? E será que essa pessoa faz o que você quer? 

Eu sinto sua falta como inferno, todos os dias. Eu já tive tantos relacionamentos pra tapar o buraco que o nosso deixou. Mas você não acredita, né? Você não acredita mais em mim. Em nada do que eu digo. Minhas desculpas, perdões, e até os “eu te amo” perderam o significado e peso pra você. Eu fui estúpida. Eu sou estúpida. Eu sou tão fodida da cabeça, amor… 
Mas você tem toda razão quando diz que não sou mais a mesma pessoa. Veja bem, você também não é. Incrível seria se fôssemos as mesmas pessoas de cinco anos atrás. Não somos as mesmas pessoas nem de cinco dias atrás, baby. 
Cinco dias… Fazem cinco dias desde que te vi chorar pela última vez. Foi quando te contei que estava namorando ele. Você disse: “Logo ele?!”. Disse que ele não ia me tratar como eu mereço, disse que ele não era um cara legal. Mas você sabe, eu sempre gostei daqueles tipos que a nossa família não vai gostar quando formos apresentar. Lembra da reação deles quando apresentei você como minha namorada? Eu me senti fodidamente incrível, amor. Naquele dia, eu achei que tudo ia dar certo. Eu achei que tudo ia finalmente dar certo… Mas não deu! 
Nada dá certo conosco, não é? Nós nos amamos como loucas, mas nunca demos certo. Nós viemos ao mundo pra ensinar muito uma pra outra, pra machucar muito uma a outra, para fazermos os melhores e mais felizes momentos das nossas vidas juntas. Mas não pra dar certo. Não viemos ao mundo pra dar certo juntas. Eu já me conformei. Por isso namoro com ele. Por isso namorei aquela minha amiga também. Por isso eu fodo com pessoas e vou pra festas. Por isso eu te ligo quando fico bêbada e quando me sinto triste. Por isso eu ligo chorando, porque eu odeio estar conformada, mas foi a única saída que encontrei pra tentar não levar uma vida infeliz. 
Ele me faz bem. Juro! Acredite em mim. Ele não tenta me consertar como se eu fosse um brinquedo quebrado, como você fazia. Ele mergulha na loucura comigo. Ele diz que sou incrível quando eu faço aquelas coisas que você julgava. Ele fode bem, muito bem… Ele me faz sentir como se eu fosse a mulher mais gostosa do mundo. E ainda é carinhoso, acredita? Não tem cara, não é? Mas é. Bastante. Ele só tem pose. 
Por que estou contando essas coisas pra você? Eu quero te machucar, amor. Eu quero fazer você se arrepender de ter me deixado. Eu quero te mostrar que eu posso estar bem, posso estar ótima! Mas nunca vou me sentir cem por cento feliz como era com você. E a culpa é sua, viu? Você disse que eu era tóxica, não é? Disse que eu só te fazia mal. Isso doeu, sabia? Doeu muito. Foi uma pontada forte e física no meu coração. Mas agora eu faço jus as suas palavras, querida. Eu sou tão errada quanto você dizia, tão tóxica quanto você queria que eu fosse. E eu vou te falar dele, como falei da minha ex, como levei ela pra nossa convivência, pro meio dos nossos amigos. 
Ops, agora são só meus amigos, certo? Você arrumou outros. Você sempre arruma substitutos muito rápido com esse seu charme e simpatia sem limites não é? Mas eu não, como diz uma música que gosto muito, I never be like you. Never. Nunca. Eu nunca vou ser como você.