Praia. O cair do sol no horizonte. O céu num azul meio verde. As estrelas e a lua bem fracas querendo se mostrar presentes. Meus cabelos estavam voando com o vento que soprava. O vento era frio, mas o clima estava quente, então acabava sendo refrescante. O mar bem na frente quebrava com ondas fortes. Ondas de fim de dia. Ondas de ressaca. Eu olhava fixamente aquelas ondas quebrando, em pé na areia, um pouco afastada de onde água chegava. Uma calça preta, uma camiseta simples cinza e um cardigã também preto. Descalça. As mãos ao lado do corpo brincando com o vento, consertando as mechas do cabelo que voavam no meu rosto vez ou outra. Pensando.
Minha vida era uma sequência de decisões certas nas horas erradas. Ou simplesmente decisões erradas. Ou simplesmente horas erradas. Eu simplesmente decisões tomadas por mim, isso já era um resumo do desastre. Não importa qual decisão eu tomasse, no momento que eu tomasse: sempre soava errado. Sempre soava como se eu estivesse prejudicando alguém. As consequências me encurralavam, cercavam, asfixiavam. Errado, errado, errado. Você tem as intenções tão bem postas na sua cabeça, porque quando você age sempre saem erradas? Eu pensava pela milésima vez comigo mesma. Existe algo, time o nome. Time é o nome que dão pra sabermos a hora certa de fazer as coisas. Eu nunca sei. Se algum ser divino me fez, esqueceu de por o tal time. Se a Terra quem me fez, esqueceu que trazer dos meus ancestrais o tal time. Eu simplesmente passava todo tempo pensando qual era a hora certa de fazer algo, e quando fazia, sempre era a hora errada. Incrível, não é?
Já pensei em morte. Já pensei em mudança. Já pensei tanto, e quase nada fiz. A morte soa muito covarde pra mim, mesma que atrativa. E mudança... Por onde começa a mudança? Pelo começo. Mas qual o começo? Por onde eu tenho que começar pra me sentir menos inútil e infeliz? Liberdade soa bem e solitária. Ficar sozinha me agrada, ficar solitária não. Eu já enganei a mim mesma por muito tempo sempre encontrando desculpas na minha atual situação para não ser ou fazer o que eu queria. Mas acho que cheguei em um ponto da vida onde as desculpas acabaram. Elas esgotaram. Não há mais desculpas, porque para todos os empecilhos eu encontrei uma solução. Mas para cada solução eu encontrei uma consequência monstruosa. E medo. Comodismo soa tão hipócrita pra mim, porque eu não me sinto nada confortável. Aliás, onde quer que eu esteja, eu me sinto desconfortável, errada. Uma peça que não faz parte do quebra-cabeça. Hey, stranger o que faz aí o meio dessas pessoas que não se parecem nada com você? No meio de tantas pessoas que você não se identifica? Stranger... Estranha. Meu adjetivo mais perfeito. Estranha num mundo onde não faz parte de nada, e nada faz parte de si.
Eu queria ter instintos como o mar. Ou afunda, ou fica no raso. Ou então aprende a nadar. Mas nem sempre você consegue nadar. Só se você for muito bom, dependendo do mar.
Uma vez me falaram que eu nunca termino a temática dos meus textos com o mesmo tema do começo. Que eu devia tentar seguir o mesmo tema até o final. Olha, eu tenho tentado fazer isso na vida. Mas não consigo sem nos textos ainda.
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